“Outro sinal de que fizemos da autorrealização um ídolo é que ela
distorce a sua visão sobre si próprio. Quando as suas realizações servem de
base ao seu valor como pessoas, elas podem dar azo a uma visão inflacionada das
suas capacidades[1]”.
Um filisteu afligia o povo de Deus. Um gigante
muito forte e soberbo que afrontava, sem medo algum, um exército inteiro. O
grande rei Saul estava esperando que um guerreiro também forte aparecesse para
vencer aquele temível homem. A situação estava constrangedora e difícil. Mas
uma improvável aconteceu e a história de toda valentia do gigante foi embora. O
pequeno Davi, seguro do poder de Deus venceu e o gigante morreu. Mas os louros
da vitória não ficaram com o grande rei, mas com o pequenino Davi. “Quando os soldados retornavam para casa,
depois que Davi venceu e matou o grande filisteu, as mulheres saíram de todas
as cidades de Israel ao encontro do rei Saul com cânticos e danças, com
tamborins, com músicas festivas e instrumentos de três cordas. E as mulheres
dançavam e cantavam: ‘Saul matou milhares, e Davi, dezenas de milhares! ’ Então
Saul se indignou e ficou muito irritado ao ouvir esse refrão, e exclamou: ‘Ora,
a Davi atribuíram a morte de dezenas de milhares, mas a mim somente milhares. A
continuar assim, só lhe faltará conquistar o meu reino! ’”(1Sm 18.6-8).
Saul se sentiu inseguro e inferior quando viu
que as pessoas receberam Davi como um herói. Davi ganhou graça aos olhos dos
cidadãos que Saul não pode conquistar. Isto o intimidava tanto, que a partir
daquele dia ele tentou matar Davi. INVEJA foi o que Saul sentiu de Davi.
No livro de Ezequiel, capítulo 28, nos mostra
outra história de inveja. Lúcifer demostrou soberba, que levou a inveja e a
ira. Logo, ele conseguiu convencer outros anjos a se unirem a sua causa, então
Deus os baniu do Céu, os jogando nas profundezas do Inferno.
Inveja é “o sentimento de desagrado produzido por
testemunhar a prosperidade de outra pessoa ou ouvir algo favorável a seu
respeito”. Ela exala do nosso orgulho, que nos convenceu de que merecemos algo
melhor do que temos recebido. Esta manifestação da nossa arrogância é um
terreno fértil para outro pecado. O salmista confessou: “Quanto a mim, porém, quase me resvalaram os pés; pouco faltou para que
se desviassem os meus passos. Pois eu invejava os arrogantes, ao ver a
prosperidade dos perversos” (Sl 73.2-3). No Novo Testamento, a inveja
sempre aponta para o pecado. Por exemplo, Mateus nos informa que foi “por
inveja” que a multidão enfurecida entregou Jesus a Pilatos (27.17,18). Gálatas
5.21 inclui a inveja na lista de obras da carne. Quando a inveja está presente,
não temos dúvida de que não estamos sob o controle do Espírito Santo, mas sim
da carne[2].
O pecado da Inveja é uma transgressão com um
grande número de possibilidades e motivo para acontecer. Quase qualquer coisa
pode ser motivo para alguém sentir inveja do outro. E hoje num mundo consumista
e competitivo, estes motivos são inúmeros e crescentes. Mas devemos ter em
mente que há dois tipos de invejosos: os invejosos passageiros, que sentem
inveja momentânea, e os invejosos rancorosos, que vivem constantemente com
inveja, e está inveja pode beirar a ira ou o ódio. Como o caso de Saul e Davi,
Caim e Abel, José e seus irmãos.
A Bíblia nos diz que devemos ter um tipo de
amor tão perfeito quanto o que Deus tem por nós. “O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata
com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os
seus interesses, não se irrita, não suspeita mal” (1 Co13:4-5). Por isso, onde
há inveja não há amor. O mais que nos focalizamos em nós mesmos e nos nossos
próprios desejos, o menos poderemos nos focalizar em Deus.
Ter inveja indica que não estamos satisfeitos
com o que Deus tem nos dado. A Bíblia nos diz que devemos estar satisfeitos com
o que temos, pois Deus nunca vai nos deixar ou abandonar (Hb 13.5). E quando
não estamos satisfeito aparece outro pecado acompanhando a inveja: a murmuração.
“Estou apenas expressando minha insatisfação” – é uma dentre as nossas tantas
desculpas para murmurar.
Quantas vezes eu e você não murmuramos com o
coração repleto de inveja: “por que os ímpios são tão prósperos e eu não
Senhor?” Novamente o salmista Asafe, no salmo 73, que chegou a renegar a Deus
por inveja, disse: “Assim são os ímpios;
sempre despreocupados, aumentam suas riquezas”. Mas logo reconheceu: “Quando o meu coração estava amargurado e no
íntimo eu sentia inveja, agi como insensato e ignorante; minha atitude para
contigo era a de um animal irracional [...] A quem tenho nos céus senão a ti? E
na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti”.
Certamente a inveja em si não é um ídolo, mas
os ídolos do nosso coração podem nos levar a sentir inveja como no caso de
Asafe que sentiu inveja da prosperidade, do sucesso dos outros. Sucesso poder
ser o ídolo no coração de alguém. Profissões inteiras podem transformar o
sucesso em sua fonte de salvação. A falta de uma perspectiva bíblica do que é
sucesso para um cristão tem levado a muitos pais a tratam seus filhos de
maneira a ajudar fazendo com que o sucesso se transforme em um ídolo cada vez
mais forte. Pais e escolas estão se unindo para formar verdadeiros adoradores
do sucesso.
Sucesso na verdade é ser parecido com Cristo a
cada dia, vivendo para espelhar e espalhar a glória de Deus, exercendo assim
Sua soberania mediada na terra. Para isso nem todo mundo precisa ser um
ganhador no prêmio Nobel, precisa é ser crente fiel, pois se um simples zelador
desempenha o papel dele de verdadeiro adorador ele está vivendo para glória de
Deus.
Há três meios para superar a inveja e todos
eles fluem do crescimento de um espírito humilde[3].
Primeiro, cultivar um coração agradecido. A Escritura
nos exorta: “Em tudo, dai graças, porque
esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco” (1Ts 5.18).
Segundo, cultivar o contentamento − estar satisfeito
com aquilo que Deus nos deu. “Tendo
sustento e com que nos vestir, estejamos contentes” (1Tm. 6.8). O
testemunho pessoal de Paulo foi de ter aprendido “a viver contente em toda e qualquer situação” que precisasse enfrentar
(Fp 4.11).
Terceiro, aprender a nos alegrar com outros crentes
quando suas bênçãos parecem exceder as nossas. Pelo domínio próprio, devemos
nos esforçar para substituir os sentimentos egoístas de desagrado pelos de
regozijo, para que possamos verdadeiramente nos alegrar com os que se alegram
(Rm 12.15).
Você tem invejado a prosperidade dos outros? A
mulher ou o homem dos outros? O cargo na igreja do outro irmão? Este sentimento
pecaminoso traz muitas consequências de diversas intensidades e gravidades. Que
essas IMPLICAÇÕES abordadas aqui neste artigo façam diferença na sua vida. Mude
e tenha a cada dia um coração grato ao Senhor, pois não há outro bem maior que
possamos ter do que o nosso Deus.
INVEJA VS os outros pecados[4]
Inveja e avareza: A Inveja que se tem pelas posses de outra pessoa,
pode servir de catalisador para o ganancioso querer superar aquela pessoa. Seja
se tornando mais rico, possuindo mais casas, apartamentos, tendo mais carros,
conseguindo um cargo de trabalho superior ao do outro; tendo mais autoridade,
poder, etc.
Inveja e Luxúria: A Luxúria se alia a Inveja quando você inveja
alguém que possua como namorado(a), noivo(a), marido ou esposa, alguém que lhe
atraia sexualmente. Ou se inveja a vida sexual de alguém. Tal inveja pode levar
a cobiça, a lástima, ao rancor ou ao ódio.
Inveja e Preguiça: A Preguiça interage com a Inveja
quando uma pessoa deixa de ajudar outra por ter inveja desta pessoa, e querendo
vê o mal para aquela pessoa se torna negligente ou mentirosa.
Inveja e Ira: Como já foi dito, a inveja pode levar a Ira.
No Antigo Testamento temos o caso dos irmãos Caim e Abel, o caso de José que
foi largado por seus irmãos dentro de um buraco. Temos o caso da inveja do rei Saul contra Davi,
onde Saul tentou matar Davi. E outros episódios que contam como a Inveja se
tornou Ira. E tal aspecto é bem real. Existem pessoas que invejam tanto que
passam a nutrir um ódio e até a desejar ou fazer o mal.
Inveja e Vaidade: A Inveja leva a vaidade quando o invejoso não
aceita que está errado, quando não aceita que sua inveja seja algo ruim, mas a
nutre na tentativa de ambicionar conquistar o que o invejado possui.
[1]KELLER,
Timothy. Deuses Falsos. Thomas Nelson
Brasil. P.12.
[2]http://conselhobiblico.com/2011/08/24/inveja-e-vaidade/
[3]http://conselhobiblico.com/2011/08/24/inveja-e-vaidade/
[4]Baseado em http://seguindopassoshistoria.blogspot.com.br/2013/07/os-sete-pecados-capitais.html. Acessado em 06/12/15 as 17:00.


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