Como seres humanos observadores, percebemos acuradamente que pessoas
caídas e sob maldição são impulsionadas a procurar estabilidade, amor,
aceitação e a formação, e que nos voltamos aos ídolos vazios à procura dessas
bênçãos[1].
Domingo à noite, aconteceu uma situação comigo
e meu esposo. Uma situação tão pequena se transformou numa
discussão.
Ele se chateou, chutou o balde com roupa suja
e eu me chateei na hora e revidei com palavras de ira. Quando ele disse: retire-se do quarto, me
subiu mais a raiva e respirei fundo e mesmo não querendo sai, mas minha vontade
era falar, falar e falar. Não sou perfeita né gente, fora do quarto bati o pé,
e fiquei esbravejando do lado de fora e fui para o quarto da minha filha me
embalar na rede, ali pude me acalmar e refletir um pouco[2].
Isso é uma típica história de ira. Quem não
tem uma história de ira? Os homens se iram pelos mais diversos motivos, mas
geralmente é algo que lhe irrita, lhe aflige, lhe frustra, lhe ameaça, lhe
mágoa, lhe machuca, etc. Uma pessoa pode se irar porque foi xingada, porque
bateram no seu carro; porque foi roubada; porque perdeu um jogo; pode se irar
porque falhou; por inveja, por ciúmes, por traição, etc. Os motivos que levam o
ser humano a se irritar e acabar ficando com raiva são muitos. A ira “surge de
desejos e prazeres entrincheirados que ‘guerreiam’ dentro de nós[3]”.
Ela em si não é um ídolo, mas pode ser uma reação à adoração a um falso deus.
Quando temos uma adoração centrada em Deus temos reações de autocontrole,
serenidade, paz, respeito, calma, amor; o que se opõe a Ira.
Às vezes o autoengano e a vontade de
satisfazer os nossos desejos (adoração a algum ídolo) são tantos que pedimos
erroneamente a Deus. Nós pedimos a Ele o que queremos. Mas quando Ele não
responde, nós nos iramos contra Ele. Ainda nos fazemos de vítima: - Oh Deus
porque eu, porque só eu não sou atendido. Tiago nos ajuda nisso. “Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e
invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer
guerras. Não têm, porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por
motivos errados, para gastar em seus prazeres” (Tg 4.2,3).
Robert Jones define ira da seguinte maneira:
nossa ira é nossa resposta ativa e integral de juízo moral negativo contra um
mal por nós percebido[4].
O Próprio Senhor Jesus se irou quando os fariseus se recusaram a responder às
perguntas, "irado, olhou para os que
estavam à sua volta e, profundamente entristecido por causa dos seus corações
endurecidos..." (Mc 3:5). A Palavra também nos ensina: irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol
sobre a vossa ira (Ef 4.26). Logo, a questão aqui não é o fato de se irar, mas
se a ira tem uma fonte genuína de motivação. Como resultado da queda, somos capazes
de alimentar no coração e expressar uma ira pecaminosa, fruto da carne (Gl.
5.19-20; Cl. 3.8), uma ira do homem (Tg 1.20).
Então, quando você sentir ira a primeira
atitude a ser tomada é a de se perguntar: a minha ira é justa? Como saber isso?
Aqui vão alguns conselhos para você julgar a sua atitude:
● A sua ira reage contra o pecado real?
● A sua ira tem seu foco em Deus e Seu reino,
Seus direitos e preocupações, não em mim, no meu reino, meus direitos e minhas
preocupações?
● A sua ira é acompanhada por outras
qualidades piedosas e se expressa de maneiras piedosas?
Assim você terá um bom indício se a sua ira é
motivada por uma adoração a Deus ou a um ídolo instaurado em seu coração. Vamos supor uma pessoa cujo ídolo é o
dinheiro, o pecado da avareza. Vamos nos lembrar de Zaqueu. Se em lugar da sua
boa reação ele ficasse incomodado, porque o barato dele continuar a adquirir
dinheiro ilicitamente foi confrontado pela presença do Senhor, ficando ele muito irado: - como assim? E agora? Como vou fazer para continuar me dando bem?
Aquele estraga prazeres “fariseu”. “Eu, um homem rico e importante, ter que
reconhecer minhas falhas perante um carpinteiro?” E começasse a falar mal de Jesus
ou agir rispidamente descontando na população. Ele expressaria ira porque o seu
reino de roubo e dinheiro foi ameaçado. Assim pode acontecer conosco quando
minha forma de expressar (adorar) o meu ídolo é ameaçada. Isso acontece
principalmente quando o nosso ego (vaidade) é atacado. “Mas quem ele pense que
é para falar assim comigo?” “Ela não tem o direito”. “Esse é o meu
direito”. “Ele me deixou triste, vou me
afogar no chocolate”.
A ira pecaminosa pode resultar em: uma
sequência de pecados (Cl 3.8; Ef 4.31); quebra de relacionamentos, contendas
(Pv 29.22, 17.14, 15.18); atitude crítica, abuso verbal, fofoca, represália;
erros e ações tolas (Pv 14.17); destruição do lar (Pv 21.19); divisão no lar
(Gn 27.43-45); disciplina no ministério (Nm 20.12); homicídios (Gn. 4:5-8; 1 Sm
20.30-33); assassinato mental (Mt 5.21-22). Mas a pior de todas é o
distanciamento do nosso Deus (Ef 4.30-31)[5].
A ilustração inicial, por exemplo, não temos
informações suficientes, mas as reações sabemos: chutar o balde e retaliar com
palavras. Isto expressa o que está naqueles corações e que muitas vezes está no
nosso: ira pecaminosa. Mas aqui vão quatro conselhos[6]
para ajudar a vencer a ira pecaminosa:
1. AVALIE. Diante desta situação estou agindo
com estultícia (Pv 12.16a; Ec 7.9) ou com sabedoria (Pv 29.8)?
2. ADMITA honestamente aquilo que está em
desacordo com a Palavra de Deus.
3. ARREPENDA-SE, reconhecendo a ira pecaminosa
por aquilo que de fato é: pecado.
Confesse a Deus e busque auxílio nEle para
produzir fruto de arrependimento.
4. ATUE em obediência a Deus, voltando a sua
energia para a solução do problema.
Mas o fim da história inicial foi a seguinte:
“Então percebi que não poderia deixar Satanás roubar a nossa paz e engoli meu
orgulho e fui pedir perdão ao meu esposo pelas minhas palavras e minha reação.
Entrei no quarto e fiquei rodeando sem falar nada, ele levantou os olhos e
mesmo sem jeito pedi perdão e disse que não queria ficar com uma parede entre
nós e que não queria ficar sem falar.[7]”.
Quais os motivos que tem levado você a se
irar? Sua ira é justa, santa? Ore pedindo a ajuda de Deus para depender da Sua
graça transformadora (Hb 4.16). Pense nessas IMPLICAÇÕES. Canalize sua ira
contra o pecado. Até a próxima.
Longe de vós, toda amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e
blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros
benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em
Cristo, vos perdoou.
Ef 4.31, 32
IRA VS os outros pecados[8]
Ira e Gula: A Gula pode levar a Ira através da embriaguez. O estado da
embriaguez afeta as pessoas de diferentes formas: umas se tornam mais alegres,
risonhas; outras ficam caladas, tristes; outras ficam sonolentas, com dor de
cabeça; outras ficam tontas, desorientadas; mas, em alguns casos, alguns acabam
ficando agressivos, perdem a paciência facilmente, irritam-se por questões
simples e banais, e isso os leva a se enfurecerem.
Ira e Ganância/Avareza: Os avarentos quando questionados ou confrontados,
podem se irar facilmente, pois se sentem ameaçados, encurralados, pois em
alguns casos não se reconhecem como estando errados. Por sua vez, a ganância
pode levar o indivíduo que almeja conquistar algo, usar a força, violência,
trapaça, dissimulação, etc., como forma de conquistar seu objetivo de se
apoderar daquilo que cobiça.
Ira e Luxúria: A Ira surge com a Luxúria de duas formas: a
primeira, quando alguém é traído e evidentemente se chateia e se
revolta pela traição, embora que dependendo do indivíduo essa ira poderá ser
mais intensa ou não, no que às vezes leva até mesmo a violência ou o
assassinato. A segunda forma vem do abuso, quando uma
pessoa luxuriosa ou movida pela luxúria acaba violentando alguém. O
estupro, pedofilia, corrupção de menores, são tipos de luxúria associado a ira.
No caso da pedofilia e da corrupção de menores, mesmo que não aja
violência física, pode haver violência psicológica, sob a forma de
ameaças. Isso leva a vítima a ficar calada, temendo a ameaça, e até mesmo a
mentir.
Ira e Inveja: A inveja pode levar a Ira. No Antigo
Testamento temos o caso dos irmãos Caim e Abel, o caso de José que
foi largado por seus irmãos dentro de um buraco, deixado para morrer. Temos o
caso da inveja do rei Saul contra Davi, onde Saul tentou matar
Davi. E outros episódios que contam como a Inveja se tornou Ira. E tal aspecto
é bem real. Existem pessoas que invejam tanto, que passam a nutrir um ódio e
até a desejar ou fazer o mal contra o invejado ou invejados.
Ira e Vaidade: Em alguns casos quando os soberbos tem seu
orgulho afrontado ou "ferido", eles reagem com fúria, com violência,
eles se iram. Alguns não se iram no momento, mas passam a nutrir ódio e
planejar uma vingança. Alguns soberbos até mesmo agem com agressão (não precisa
ser necessariamente física) contra outras pessoas, através da descriminação,
preconceito, palavras, etc.
[1]POWLISON, David. Ídolos do
coração e Feira das Vaidades. Refúgio, SP. Página 8.
[2]http://www.itacosta.com.br/2016/01/testemunho-sobre-ira.html#.VtxMpZwrLIV
[3] JONES, Robert. Ira: arrancando o mal pela raiz. Nutra.
Página 59.
[4]JONES, Robert.Idem. Página 19.
[5]Baseado na apostila de ética do
SBPV.
[6]Idem.
[7]http://www.itacosta.com.br/2016/01/testemunho-sobre-ira.html#.VtxMpZwrLIV
[8]Baseado em http://seguindopassoshistoria.blogspot.com.br/2013/07/os-sete-pecados-capitais.html. Acessado em 06/12/15 as 17:00.



0 comentários