O caráter interno da motivação é demonstrado na expressão
“concupiscência da carne” (1 João 2:16): nosso movimento de inércia “centrado
em nós mesmos”, vontades, esperanças, medos, expectações, “necessidades” que
abarrotam nossos corações[1].
Os vícios capitais na enumeração de Tomás de
Aquino[2]são:
vaidade, avareza, inveja, ira, luxúria, gula e acídia. Hoje, em lugar da
vaidade, a Igreja católica coloca a soberba e em lugar da acídia é mais frequente
encontrarmos a preguiça na lista dos vícios capitais. Isto se deve a que a
soberba é considerada por Tomás como um pecado, por assim dizer,
"mega-capital", fora da série e, portanto, prefere falar em vaidade.
Quando achamos que por nossas próprias forças
podemos colocar algo em nosso coração para suprir a presença que só Deus é
capaz de preencher temos a soberba. Observe como esse pensamento de David
Powlison se assemelha ao de Tomás:
O primeiro Grande Mandamento, “amar a Deus
de todo coração, alma, mente e força”,também demonstra a “interioridade”
essencial da lei no que diz respeito à idolatria. A linguagem do amor, confiança,
temor, esperança, buscar e servir (termos descritivos do relacionamento com o
Deus verdadeiro) é continuamente usada na Bíblia para descrever nossos falsos
amores, falsas confianças, falsos temores, falsas esperanças, falsas procuras e
falsos mestres[3].
Vejamos essa interessante observação sobre o
pecado: o pecado é «o amor de si próprio levado até ao desprezo de Deus». Por
esta exaltação orgulhosa de si mesmo, o pecado é diametralmente oposto à
obediência de Jesus, que realizou a salvação[4].
A soberba parece estar de fato no cerne de todo pecado. Assim, também podemos
ver a soberba presente no pecado de reis e do próprio Satanás (Ezequiel 28 e
Isaías 14), como também em Adão e Eva:
Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus
sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, E SEREIS COMO
DEUS, sabendo o bem e o mal. E viu a mulher que aquela árvore era boa para se
comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou
do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.
Gênesis 3:4-6
Logo, vamos seguir a linha de Tomás que em
lugar da soberba, prefere falar da vanglória (vã-glória). Ao discutir os
conceitos de vã e de glória, fala desta como esplendor (daí nossos adjetivos:
brilhante, ilustre, esplêndido etc.). A perversão do bem da glória é
precisamente a glória vã da vaidade.
Vaidade
Esta palavra na Bíblia nunca tem a
significação de desvanecimento e orgulho, mas quase sempre a de vacuidade. A
conhecida expressão ‘vaidade de vaidades’ literalmente quer dizer ‘sopro de
sopros’, ou ‘vapor de vapores’ (Ec 1.2). Em Is 41.29 e Zc 10.2, ‘vácuo’ e
‘vazios’ são a tradução de uma palavra que significa tristeza e iniquidade[5].
O Webster'sDictionary 1828 - Online Edition, ainda complementa:
O vazio; quer da substância para satisfazer o
desejo; incerteza; inanidade. Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é
vaidade Eclesiastes 1: 2. Os trabalhos banais que não produz bom resultado.
Prazer vazio; vã perseguição; Mostrar ocioso; prazer sem substância. A
ostentação; arrogância. A inflação da mente sobre frágeis fundamentos; orgulho
vazio, inspirado por um conceito arrogante de realizações ou decorações pessoal
de cada um.
O coração humano toma
coisas boas como uma carreira de sucesso, amor, bens materiais, e até a
família, e faz delas seus bens últimos. Nosso coração as diviniza como se
fossem o centro de nossa vida porque achamos que podemos ter significado e
proteção, segurança e satisfação se as alcançarmos[6].
Achamos que ídolos são coisas ruins, mas isso nunca é verdade. Quanto
maior o bem, maior é a tendência de esperarmos que ele satisfaça nossas necessidades
e esperanças mais profundas. Qualquer coisa pode servir como um falso deus,
especialmente as melhores coisas da vida[7].
Por exemplo, quase todo mundo quer ter uma boa
aparência, estar bem vestido, estar limpo, estar arrumado. Isso é um preceito
estético e de higiene. Eu não quero sair na rua ou estar em casa, estando sujo,
desarrumado, fedendo, etc. Em tal aspecto esse cuidado não é pecaminoso. Todo
mundo quer se sentir belo em algum momento, quer sair arrumado para agradar à
família, aos amigos, aos convidados, à namorada(o), o marido, esposa. Você
ainda pode ficar satisfeito por ter feito algo bem feito. Ou ainda querer
honrar alguém, onde esta honra significa respeito, ou uma gratificação, um
reconhecimento, uma parabenização por algo.
A questão é se perdermos isso - elogios,
beleza, roupas, etc- ficaremos desesperados? A motivação está ligada
diretamente a questão do senhorio. O que te motiva a fazer o que você faz? Você
faz para glória de Deus ou para inflar seu ego. Por que você se veste bem? Por
que você malha? Você depende de elogios? O que nos motiva nos governa.
Vamos ver alguns exemplos de vaidade:
1.
Cuidar da aparência no intuito de querer
chamar a atenção, e fazer com que outros o admirem por isso. Se tornar o centro
das atenções gerando então o narcisismo: amor-próprio excessivo por si,
desenvolvendo uma grande preocupação com sua aparência estética e social.
2.
Valorizar suas ações, pensamentos e desejos.
Para este tipo de pessoa, o "mundo gira em torno dela", apenas sua
opinião é a certa, é que tem serventia; apenas seus propósitos são justos e
dignos.
3.
Dar excessiva atenção e valor, a riqueza e ao
luxo, a mostrar para outros suas posses.
4.
Vangloriar ou se esnobar, após ganharem,
conquistarem, receberem algo ou alguma coisa.
5.
Viver para obter fama, notoriedade e glória.
Como diz a definição que lemos ações vazias
que não levam a nada.
Lembremo-nos:
Ó profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus! Quão
insondáveis são os seus juízos, e inescrutáveis os seus caminhos! Quem conheceu
a mente do Senhor? Ou quem foi seu conselheiro? Quem primeiro lhe deu, para que
ele o recompense?, POIS DELE, POR ELE E PARA ELE são todas as coisas. A ELE seja
a glória para sempre! Amém. Romanos 11:33-36
Meu amado, se você tem deixado esse pecado te
escravizar lembrem-se dessa passagem. Vaidade tira toda a glória de Deus e dá a
você. Existe uma grande diferença entre se vestir para estar bonito e bem
apresentado e querer chamar a atenção dos outros; entre fazer suas atividades
para glorificar aquele que deu a você inteligência e capacidades intelectuais e
buscar fama e querer holofotes em você. Sem falar naqueles que dizem que fazem
para glorificar a Deus, mas estão vivendo um autoengano.
Então pense nas seguintes IMPLICAÇÕES:
1.
Quais suas motivações para vestir como você se
veste?
Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam
tudo para a glória de Deus. 1Co 10.31
Não amem o mundo nem o que nele há. Se alguém amar o mundo, o amor do
Pai não está nele. 1 João 2:15
2.
Você está satisfeito com aquilo que Deus
escolheu para você?
Eu te louvo porque me fizeste de modo especial e admirável. Tuas obras
são maravilhosas! Disso tenho plena certeza. Meus ossos não estavam escondidos
de ti quando em secreto fui formado e entretecido como nas profundezas da
terra. Os teus olhos viram o meu embrião; todos os dias determinados para mim
foram escritos no teu livro antes de qualquer deles existir.
Salmos 139:14-16
3.
Você tem transmitido a
beleza da obra de Cristo ou quer que a sua apareça?
"Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade
construída sobre um monte. E, também, ninguém acende uma candeia e a coloca
debaixo de uma vasilha. Pelo contrário, coloca-a no lugar apropriado, e assim
ilumina a todos os que estão na casa. Assim brilhe a luz de vocês diante dos
homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que
está nos céus". Mateus 5:14-16
VAIDADE VS Os
outros seis pecados[8]
Vaidade e Gula: A Gula se torna vaidade, quando a pessoa passa a esbanjar a fartura de
alimentos não como uma benção, mas como status social, como motivo de soberba,
esnobação, ostentação. Ou seja, o indivíduo que tem dinheiro para
comer e beber muito, e que esbanja isso.
Vaidade e Avareza: A avareza já é considerada um ato egoísta, possessivo
e obsessivo por algo, alguma coisa ou alguém. Quando o avarento passa
a se esnobar por suas posses, ou repudiar críticas as suas atitudes, ele acaba
se tornando soberbo.
Vaidade e Preguiça: A Preguiça se torna vaidade, quando a pessoa passa a desejar
algo ou querer receber algum mérito, mas não se desempenhou em conseguir o que
queria, no entanto, tal indivíduo se sente como se estivesse certo, como se
fosse de seu direito. Querer algo e não fazer nada para conseguir, é visto como
Preguiça. Por outro lado, a Preguiça também se torna vaidade, quando a pessoa
passa a se reconhecer tendo mérito sobre algo que não fez, mas que lhe fora
proporcionado por terceiros. E num terceiro aspecto, A vaidade surge da
preguiça, quando você se nega a fazer algo por motivos egoístas, vaidosos, etc.
Vaidade e Luxúria: A Luxúria pode ser vaidosa, quando o homem ou a mulher utilizam
sua beleza para atiçar o desejo sexual em outras pessoas, e ao mesmo tempo se regozijam
por causa disso, pelo fato de serem almejados. A Luxúria se une a vaidade,
quando a pessoa passa a se gabar de suas proezas sexuais, contando que fez
isso, fez aquilo, que teve relações com tantos homens ou mulheres e até com
ambos. O luxurioso orgulhoso, não se vê como culpado de seus atos, mas sente
admiração pelo que faz e em alguns casos gosta de se esnobar.
Vaidade e Inveja: A Inveja leva a vaidade quando o invejoso não aceita que está
errado, quando não aceita que sua inveja seja algo ruim, mas a nutre na
tentativa de ambicionar conquistar o que o invejado possui.
Vaidade e Ira: Em alguns casos quando os vaidosos têm seu orgulho afrontado ou
"ferido", eles reagem com fúria, com violência, eles se iram. Alguns
não se iram no momento, mas passam a nutrir ódio e planejar uma vingança.
Alguns vaidosos até mesmo agem com agressão (não precisa ser necessariamente
física) contra outras pessoas, através da descriminação, preconceito, etc.
[1]POWLISON,
David. Ídolos do coração e Feira das
Vaidades. Refúgio, SP. Página 2.
[2] A classificação de Tomás difere
ligeiramente das de Cassiano e Gregório.
[3]POWLISON,
David. Ídolos do coração e Feira das
Vaidades. Refúgio, SP. Página 3.
[4]1850. I. A misericórdia e o pecado. O PECADO. I ARTIGO 8. http://www.vatican.va/archive/cathechism_po/index_new/p3s1cap1_1699-1876_po.html. Acessado em 06/12/15 as 16:00.
[6]KELLER, Timothy. Deuses Falsos. Thomas Nelson Brasil. Pg
13.
[7]Idem. Pg 15.
[8]Baseado
em http://seguindopassoshistoria.blogspot.com.br/2013/07/os-sete-pecados-capitais.html.
Acessado em 06/12/15 as 17:00.



Nesse o André se superou
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