O dinheiro pode ser um ídolo superficial que serve para satisfazer
impulsos mais profundos. Algumas pessoas querem ter muito dinheiro, como forma
de controlar o seu próprio mundo e a sua vida. Essas pessoas, geralmente,
gastam pouco dinheiro e vivem deforma muito modesta. Guardam-no bem guardado e
investem-no, para que se possam sentir completamente seguras no mundo. Outros
querem dinheiro para aceder a círculos sociais e para se tornarem bonitos e atraentes.
Essas pessoas gastam o seu dinheiro consigo mesmas de forma extravagante.
Outras pessoas querem dinheiro porque este lhes dá muito poder sobre os outros.
Em cada caso, o dinheiro funciona como ídolo e, no entanto, devido a vários
ídolos profundos, dá origem a padrões de comportamento muito diferentes[1].
Carros, viagens, casas, joias, roupas de grife,
smartphone, relógios. Ganhar na mega sena e ficar podre de rico. O quanto isso
tem dominado seus pensamentos? Será que você é daqueles que vivem para
trabalhar e ganhar mais dinheiro para adquirir bens ou se contenta em trabalhar
de forma equilibrada? Se seus pensamentos estão circulando em torno do primeiro
grupo, se você não para de falar em ostentar, em riqueza, arrisco-me a dizer
que você é um avarento.
Algumas
pessoas que almejam alcançar altos padrões acabam vivendo cheias de dívidas,
apenas para manter o status social de possuir um bom celular, smartphone, um
bom carro, uma boa casa, viajar muito, usar roupas caras, etc. Tais pessoas
vivem de aparência. Tornando-se avaras para algumas coisas e esnobes para
outras. Em outros casos, certos indivíduos partem para a criminalidade para
sobreviver ou para enriquecer.
Mas
o que é avareza?
Um
desejo desordenado de ganhar e possuir riqueza; avareza; ganância ou desejo
insaciável de lucro[2].
Hoje
temos vários exemplos nos noticiários deste pecado. Basta observamos o mar de
corrupção que está o nosso Brasil. Quando parece que já vimos todas as formas
de corrupção aparece uma nova forma mirabolante de se enriquecer
desonestamente. E para isso não importa classe social, cor e raça. São ricos,
pobres, brancos, negros, índios e... Mas
não precisa ir muito longe. Você deve conhecer alguém avarento ou pior ainda, este,
de fato, pode ser você.
Quando
analisamos o conceito histórico deste pecado ele se origina da palavra hebraica
Mammon que significa literalmente "dinheiro". A ideia de Mammon era
que a pessoa passava a se tornar gananciosa por dinheiro. Na Bíblia há citações
sobre tal aspecto.
"Ninguém pode
servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará
a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom". (Mt 6.24)
"Porque o
amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se
desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores". (1 Tm 6.10)
O
senhor Jesus trata de um coração avarento na Bíblia no momento em que sua
presença transformadora é tida na vida de certo cobrador de impostos chamado
Zaqueu. O incidente ocorreu em Jericó, uma cidade onde viviam metade das ordens
sacerdotais. Logo estava cheia de líderes religiosos. Também era uma importante
cidade comercial pelo seu local perto da fronteira com a Pérsia onde um
cobrador de impostos se beneficiaria dos impostos de importação e exportação.
Mas Zaqueu não era um cobrador de impostos qualquer. Ele era o chefe deles o
que significava que estava especialmente bem posicionado para se enriquecer aos
custos da população. Logo, se os cobradores de impostos eram odiados pelos
outros judeus, mas ainda era o seu chefe.
"Por
que alguém trabalharia como coletor de imposto? O que tornava sedutora para
tantos a ideia de trair a família e o país, passando a viver como proscrito em
sua própria sociedade? A resposta é: dinheiro[3]."
Observem
estas palavras do próprio Zaqueu: “Dou agora metade que tenho para os pobres e
pagarei em quatro vezes mais se defraudei alguém.” Digo que isto é espantoso
pelo seguinte: a lei judaica estabeleceu 20% como uma porcentagem anual razoável
que um rico piedoso deverá dar para os pobres. Zaqueu estava dando metade… 50%.
E notem bem, depois de reduzir a sua riqueza pela metade, Zaqueu, daquela
metade ia restituir quatro vezes aquelas pessoas que ele defraudou nos seus
negócios. (Este era a restituição que a lei exigia de um ladrão – Êx 22.1).
Talvez
você pense que isso está distante de nós, mas não é verdade. Procura e Mercado.
Nossa sociedade se constrói sobre esses pilares. A modernidade tardia trouxe
transformou vidas, relacionamentos, identidades por moedas de troca. Estamos
falando não apenas de uma ganancia vinculada ao dinheiro, mas principalmente ao
poder. Buscamos por poder: poder ter, ser, fazer, conquistar, aparecer... Entretanto
ao invés de admitirmos a nossa idolatria ao poder criamos um autoengano dizendo
nosso esforço demasiado do trabalho está ligado a uma “vida melhor”. Mas o que
é uma vida melhor, viver em função do poder? Viver para poder ter dinheiro para
viagens, em detrimento de tempo com amigos, família, esposa e filhos? Vida
melhor significa ostentar em eventos ou em passeios caros com os amigos, em
detrimento de relacionamentos profundos? Será que ter o melhor é ter dinheiro
para ter um carro luxuoso, mas não ter tempo de sentar e conversar com as pessoas
que você ama? Talvez você já tenha dito “só quero o melhor”, entretanto é
possível que você tenha mantido um altar em seu coração.
Mas
sonhar, desejar e almejar algo, não é propriamente cobiça. Todos os humanos
possuem sonhos, possuem expectativas. Isso não é pecado. Mas, quando tais
sonhos e desejos giram em torno do eu só trará prejuízos sérios, ao fim você
terá vivido para ter, ao invés de ter para viver. Zaqueu
que aceitou o convite do Senhor Jesus, ouviu as suas palavras e reconheceu que
era melhor dar do que receber. O ministério de Jesus não é só um exemplo disso,
mas através dele podemos desfrutar disso também. A submissão ao modelo de vida
de Jesus podemos mudar os desejo egoístas por outros desejos maiores e
melhores.
Jesus
nos ensinou a orar por um novo tipo de desejo: “Pai nosso que estás nos céus,
santificado seja o Teu nome, venha a nós o Teu reino, seja feita a Tua
vontade”. É assim que o Deus opera,
implantando o desejo de santidade em nosso coração, uma cobiça santa que cresce
e ofusca todos os outros desejos. Uma estratégia baseada apenas no “diga não”
jamais será suficiente para mudar a direção de maneira duradoura. Somos
encorajados pelas Escrituras a dizer sim – sim para o caminho do Espírito[4].
“Eu sou pobre e
necessitado, porém o Senhor cuida de mim; tu és o meu amparo e o meu
libertador; não te detenhas, ó Deus meu!” (Sl 40.17).
“Não vos
inquieteis com o dia de amanhã, pois o amanhã trará os seus cuidados; basta ao
dia o seu próprio mal” (Mt 6.34).
“Não andeis
ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as
vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de
Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente
em Cristo Jesus” (Fp 4.6,7).
“Seja a vossa vida
sem avareza. Contentai-vos com as coisas que tendes; porque ele tem dito: De
maneira alguma te deixarei, nunca jamais te abandonarei” (Hb 13.5).
Mamom
tem sido o seu Senhor? Você tem se enganado? Pense nas IMPLICAÇÕES da avareza
em sua vida. Veja se você se identifica:
AVAREZA VS os outros pecados[5]
Avareza
e Vaidade: A
avareza já é considerada um ato egoísta, possessivo e obsessivo por
algo, alguma coisa ou alguém. Quando o avarento passa a se esnobar por suas
posses, ou repudiar críticas as suas atitudes, ele acaba se tornando vaidoso.
Avareza
e Gula: Neste
caso, algumas pessoas tendem a ter um descontrole em se apossar por alimentos,
isso gera a "avareza da gula". Já conheci pessoas que tinham o
hábito de esconder comida dos familiares e amigos, geralmente faziam isso com
doces e bebidas alcoólicas. Em alguns casos, pessoas chegam a roubar
outras para comer, mas não digo fazer isso quando se está padecendo de fome,
mas fazer isso por causa de gula.
Ganância
e Inveja: A
Inveja que se tem pelas posses de outra pessoa, pode servir de catalisador para
o ganancioso querer superar aquela pessoa. Seja se tornando mais rico,
possuindo mais casas, apartamentos, tendo mais carros, conseguindo um cargo de
trabalho superior ao do outro; tendo mais autoridade, poder, etc.
Cobiça
e Luxúria: Como
foi dito, a cobiça não se limita apenas a questões materiais, mas a outros
aspectos, e neste caso, a cobiça por mulheres e homens, isso passa a ser chamar
de promiscuidade. Ou seja, o indivíduo que possui relações com vários
indivíduos visando apenas o prazer sexual, e nenhum compromisso ou preocupação
com os sentimentos do outro.
Avareza/Ganância e
Ira: Os
avarentos quando questionados ou confrontados, podem se irar facilmente, pois
se sentem ameaçados, encurralados, pois em alguns casos não se reconhecem como
estando errados. Por sua vez, a ganância pode levar o indivíduo que almeja
conquistar algo, usar a força, violência, trapaça, dissimulação, etc., como
forma de conquistar seu objetivo de se apoderar daquilo que cobiça.
[1]KELLER, Timothy. Deuses Falsos. Thomas Nelson Brasil.
[2] O
Webster'sDictionary 1828 - Online Edition.
http://webstersdictionary1828.com/Dictionary/avarice
[3]KELLER,
Timothy. Deuses Falsos. Thomas
Nelson Brasil. Página 64.
[4]
http://conselhobiblico.com/2015/11/03/substituir-desejo/
[5]Baseado em http://seguindopassoshistoria.blogspot.com.br/2013/07/os-sete-pecados-capitais.html. Acessado em 06/12/15 as 17:00.



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