
Quando o “impulso da fome” impele minha vida, ou um segmento dela, na
verdade estou envolvido num comportamento religioso. Eu (“minha carne”)
tornei-me meu próprio deus, e a comida tornou-se objeto da minha vontade,
desejos e temores. A Bíblia observa o mesmo emaranhado de motivos que as ciências
comportamentais vêm como “impulsos primários”. Algo biológico sem dúvida está
ocorrendo. Algo psicológico, e até mesmo sociológico, acontece. Mas a conceituação
bíblica difere radicalmente. Não sou “dirigido-pelo-impulso-da-fome”. Sou
“dirigido-pelo-impulso-da-fome-ao-invés-de-Deus [1]”.
Comer demais, mesmo sem ter fome por sinal de
ansiedade ou depressão. Quando já nos saciamos, mas continuamos “mandando
comida para dentro”, é sinal de que o ato de comer tornou-se pecado. Muita
gente não se dá por satisfeito enquanto não sentir, literalmente, a barriga
estufar: comem quase até passar mal. Além de prejudicial à saúde e levar a
obesidade, este hábito é pecado diante de Deus. Outras pessoas ainda reagem com
irritabilidade quando o jantar atrasa, manipulam para conseguir o maior pedaço,
comem para se sentir bem e coisas assim; tudo isso é subproduto dos ídolos que retêm no
coração (Fp 3.19; I 5.11).
Erroneamente as pessoas pensam que a Gula
trata-se apenas em se comer descomedidamente, mas ela também se refere ao consumo
de bebidas de forma demasiada. A gula em si é o descontrole na alimentação; e os
alimentos são sólidos, líquidos e pastosos. Logo, comer e beber muito são atos
que levam ao pecado da gula. Devemos ter em mente que o guloso não é apenas a
pessoa gorda, os magros também podem ser glutões. Basta que a pessoa magra
encontre conforto, alegria e satisfação na comida. Ao mesmo tempo em que nem
todas as pessoas que estão acima do peso são glutonas. Elas podem ter problemas
de saúde onde mesmo comendo porções razoáveis ficam com peso excessivo.
Podemos também observar que há dois tipos de
gula: a ocasional, onde uma pessoa excede-se em comida e bebida, geralmente por
causa de uma festa ou evento do tipo, ou até mesmo por questões de ansiedade; e
a regular, a qual diz respeito ao indivíduo que a comete com frequência.
Independe de qual situação você viva gula é gula.
Não é como aquele caso “social”. É pecado e tem que ser tratado. O prazer da
comida pode trazer um conforto imediato diante de pressão, preocupação,
solidão, ira, tédio. Mas só Deus pode trazer a solução verdadeira para esses
problemas. Cristo é suficiente.
Temos princípios bíblicos que nos lembram
claramente do bom cuidado que devemos ter do nosso corpo, pois ele pertence a
Deus: Criou Deus o homem à sua imagem, à
imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou (Gn 1.27); Pois vocês sabem que
não foi por meio de coisas perecíveis como prata ou ouro que vocês foram
redimidos da sua maneira vazia de viver que lhes foi transmitida por seus antepassados,
mas pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem mancha e sem
defeito (1 Pe 1.18,19); Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do
Espírito Santo que habita em vocês, que lhes foi dado por Deus, e que vocês não
são de si mesmos. Vocês foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a
Deus com o corpo de vocês (1 Co 6.19, 20). Por isso, em se tratando de
disfunção alimentar, ainda encontramos algumas questões, que mesmo não sendo todas
glutonaria, as quais quero chamar rapidamente a atenção aqui:
Anorexia[2]: Transtorno alimentar caracterizado por um grande temor de ganhar
peso, ainda que o paciente esteja muito abaixo do peso ideal. Ele se impõe,
então, uma rígida dieta de restrição alimentar.
Bulimia[3]: Transtorno alimentar caracterizado pelo ciclo formado por uma etapa
de grande ingestão de alimentos e outra de compensação ou purgação: força-se o
vômito ou ingere-se laxantes e/ou diuréticos para eliminar a comida. Existe
também o bulímico não purgativo, que faz exercícios físicos obsessivamente e
passa por períodos de jejum. Nos dois casos, também há temor de ganhar peso.
Drunkorexia[4]: Esta expressão vem da junção entre as palavras drunk (embebedado, em
inglês) e anorexia, uma disfunção alimentar caracterizada pela perda de apetite
e por atitudes obsessivas em relação à magreza.
A drunkorexia, portanto, acontece quando um indivíduo, preocupado
obsessivamente em não engordar, passa a consumir bebidas alcoólicas para substituir
a comida. Acomete principalmente adolescentes do sexo feminino e jovens
mulheres.
Vigorexia[5]: Obsessão pelo corpo musculoso. A Vigorexia ou Síndrome de Adonis é
um transtorno dismórfico corporal caracterizado pela insatisfação constante com
o corpo, ou seja, alteração da autoimagem. Afeta principalmente os homens,
levando-os à prática exaustiva de exercícios físicos. As pessoas com vigorexia
desenvolvem uma dependência pelo exercício físico e pelo corpo musculoso, pois
nunca se satisfazem com a condição em que se encontram. “Essa busca acaba
alterando a rotina do indivíduo, que acaba dedicando muito tempo à atividade
física, o que pode até resultar em quadros depressivos”, afirma a psiquiatra
Dra. Mara Maranhão.
Ortorexia[6]: Pode ser definida como uma obsessão por uma alimentação extremamente
saudável. Diferentemente da anorexia ou da bulimia, pessoas que sofrem com
ortorexia se dão ao direito de comer, no entanto, elas são tão obcecadas com a
qualidade do que comem que a maioria dos pensamentos se volta a isto.
Estes últimos transtornos, que podemos
claramente chamar de pecados, estão ligados diretamente à vaidade, pecado já
tratado aqui em nossa série. Vaidade juntamente a uma disfunção alimentar que
tentam saciar um ídolo no coração de indivíduos.
E para lutar contra a tentação de comer
descontroladamente, ou só por prazer, John Owen no seu livro “A tentação e a
mortificação do pecado” nos traz a mente importantes lembretes e conselhos para
vencermos estas e qualquer outra tentação:
“Só um cristão, isto é, uma pessoa que está
verdadeiramente unida a Cristo, é capaz de mortificar o pecado[7]”.
“Você não mortificará nenhum pecado a não ser que, sincera e diligentemente,
busque lidar com todo pecado[8]”.
Nossa comunhão com Deus deve ser
restabelecida, por isso o pecado deve ser assumido, confessado e estarmos
dispostos a praticar as medidas necessárias para vencê-lo. Pecados não
confessados nos afastam da comunhão com Deus e você só confessa algo que admite
fazer. Confissão de pecado, de acordo com 1 João 1.9, vai nos proteger da
disciplina de Deus. Se falharmos em confessar nosso pecado a ciência de
Deus, com certeza, virá até confessarmos. Como dito previamente, nossos pecados
são perdoados no momento da salvação (perdão posicional), mas nossa comunhão
com Deus precisa estar em boas condições de uma forma diária, o que não pode
acontecer se temos pecado não confessado em nossas vidas (perdão relacional).
Portanto, precisamos confessar nossos pecados logo quando os cometemos para
podermos manter uma comunhão correta com Deus.
“Quando um desejo pecaminoso em particular
obtém o consentimento da vontade com certa dose de prazer, mesmo que um ato
externo de pecado não seja cometido, o desejo pecaminoso obteve sucesso[9]”.
Deixe de cultivar um espírito de
autossuficiência. É isso o que acontece quando você pensa: “posso comer o que
quero, quando quero e quanto quero”. Cada área de nossa vida deve estar
submissa à vontade de Deus, inclusive a alimentar. Se tudo que temos é dEle, vem
dEle e é para Ele (Rm 11.36), nossa alimentação também deve ser assim.
Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos
aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e
humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Mt 11.28, 29.
Comer de mais, comer de menos, matar a
ansiedade ou fugir das frustrações? Fica uma pergunta no ar: Onde você tem
depositado as suas esperanças para continuar firme sua caminhada? O que importa
é se de fato reconhecemos o objetivo de estarmos aqui: Viver para a glória de
Deus e não para a nossa glória. Já pensou nessas IMPLICAÇÕES? Que Deus te
abençoe meu irmão. Na próxima vamos discutir um pouco sobre a inveja.
GULA VS os outros pecados[10]
Gula e Avareza: A Avareza diz respeito ao
ato descontrolado de tomar posse de algo, ganância, cobiça. Neste caso, algumas
pessoas tendem a ter um descontrole em se apossar por alimentos, isso gera a
"avareza da gula".
Gula e Preguiça: É visível que as pessoas
obesas tendem a se tornar preguiçosas, pois o peso excessivo afeta a estrutura
muscular e óssea do corpo, isso leva as pessoas a sentirem desconforto, a se
cansarem mais facilmente e até mesmo dor, quando tem que andar por muito tempo,
correr, ou fazer alguma atividade física. Logo, tais pessoas preferem evitar
isso, e neste caso, a gula está contribuindo para a preguiça. Em alguns casos
mais graves, a pessoa acaba se tornando profundamente sedentária, o que é
chamado de obesidade mórbida. Nessa situação os indivíduos tendem a
ficar presos a suas casas e até mesmo em seus quartos. As pessoas chegam a um
estado que de tão pesadas não conseguem andar.
Gula e Ira: A Gula pode levar a Ira
através da embriaguez. Os estado da embriaguez afeta as pessoas de diferentes
formas: umas se tornam mais alegres, risonhas; outras ficam caladas, tristes;
outras ficam sonolentas, com dor de cabeça; outras ficam tontas, desorientadas;
mas, em alguns casos, alguns acabam ficando agressivos, perdem a paciência
facilmente, irritam-se por questões simples e banais, e isso os leva a se
enfurecerem. Algumas brigas em bares são causadas pela irritabilidade
gerada pela embriaguez. A gula levou a ira.
Gula e Vaidade: A Gula se torna Soberba quando a pessoa passa a esbanjar a fartura de alimentos não como uma benção,
mas como status social, como motivo de soberba, esnobação, ostentação. Ou seja,
o indivíduo que tem dinheiro para comer e beber muito, e que esbanja
isso.
[1]POWLISON,
David. Ídolos do coração e Feira das
Vaidades. Refúgio, SP. Página 7.
[2]
http://veja.abril.com.br/especiais_online/anorexia-bulimia/bulimia-anorexia.shtml
[3] Idem
[4]http://www.einstein.br/einstein-saude/nutricao/Paginas/drunkorexia.aspx
[5]http://www.einstein.br/einstein-saude/em-dia-com-a-saude/Paginas/vigorexia-obsessao-pelo-corpo-musculoso.aspx
[6]
http://www.saudemedicina.com/ortorexia/
[7]OWEN, John. A tentação e a mortificação do pecado. PES – Publicações
Evangélicas Selecionadas. p. 123.
[8]Idem. P.129.
[9] Idem. P 139.
[10]Baseado em http://seguindopassoshistoria.blogspot.com.br/2013/07/os-sete-pecados-capitais.html. Acessado em 06/12/15 as 17:00.


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