Até aqui vimos que tanto os autores
humanos quanto o Autor Divino são considerados os escritores da Bíblia. Como
então conciliar estas duas verdades? A própria Escritura também responde esta
questão, pois como foi visto anteriormente, os próprios apóstolos e profetas
falavam convictos de que estavam sendo dirigidos pelo Espírito Santo enquanto
ensinavam as Escrituras[1]. A
seguir, serão transcritos alguns textos bíblicos que apontam para dupla autoria
das Escrituras.
2Samuel 23.2-3 – “O Espírito do Senhor fala por
meu intermédio, e a sua palavra está na minha língua” (Ênfase do autor).
1Coríntios 2.4-13 – “A
minha palavra e a minha pregação não consistiram em linguagem persuasiva de
sabedoria, mas em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não
se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus. Entretanto, expomos
sabedoria entre os experimentados; não, porém, a sabedoria deste século, nem a
dos poderosos desta época, que se reduzem a nada; mas falamos a sabedoria de
Deus em mistério, outrora oculta, a qual Deus preordenou desde a eternidade
para a nossa glória; sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século
conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor
da glória; mas, como está escrito: ‘Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem
jamais penetrou em coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o
amam’. Mas Deus no-lo revelou pelo
Espírito; porque o Espírito a todas as coisas perscruta, até mesmo as
profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o
seu próprio espírito, que nele está? Assim, também as coisas de
Deus, ninguém as conhece, senão o Espírito de Deus. Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, e sim o Espírito que
vem de Deus, para que conheçamos o que por Deus nos foi dado
gratuitamente. Disto também falamos,
não em palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas ensinadas pelo Espírito,
conferindo coisas espirituais com espirituais” (Ênfase do autor).
1Coríntios 14.37 – “Se
alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça
ser mandamento do Senhor o que vos escrevo” (Ênfase do autor).
1Tessalonissences 2.13 – “Outra razão ainda temos nós para,
incessantemente, dar graças a Deus: é que,
tendo vós recebido a palavra que de nós ouvistes, que é de Deus, acolhestes não como palavra de homens, e
sim como, em verdade é, a palavra de Deus, a qual, com efeito, está
operando eficazmente em vós, os que credes” (Ênfase do autor).
2Timóteo 3.16-17 – “Toda a Escritura é inspirada por Deus e
útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na
justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado
para toda boa obra” (Ênfase do autor).
2Pedro 1.20-21 – “sabendo,
primeiramente, isto: que nenhuma
profecia da Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais
qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens santos falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (Ênfase do autor).
Com
base nestes textos, e em outras passagens das Escrituras podemos concluir que
os próprios escritores humanos reconheciam escrever inspirados por Deus e
guiados pelo Espírito Santo. Assim, para os escritores humanos da Bíblia, os
escritos possuíam uma dupla natureza, e por isso, conclui-se que há sobre as
Escrituras uma dupla autoria, a saber, os autores humanos e Autor divino.
Ademais, ainda na perspectiva dos autores humanos, vê-se que por mais que haja
vários escritores humanos, há, sobretudo, apenas uma Fonte sobre as Escrituras,
a saber, Deus.
Como
J. I. Parker (1976) argumenta, “a Bíblia apesar de ser um livro humano, que
fala de pecado e do erro e em muitos lugares da fraqueza dos seus autores, não
deixa de ser, acima de tudo, uma obra divina, cujo autor primário é Deus”[2].
E seguindo o mesmo raciocínio, A. W. Pink (1979) diz: “A imagem divina se acha
estampada em cada uma das páginas. Escritos tão santos, tão celestiais, tão
profundamente criadores de temor não poderiam ser produzidos pelos homens”[3].
Em outras palavras, por mais que haja uma dupla natureza nas Escrituras, os
próprios escritores humanos reconheciam que a Fonte última das Escrituras é de
Deus.



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