“…a Boaz nasceu, de Rute, Obede” Mateus 1:5b
Na sequência das mulheres da genealogia de Jesus, a
próxima que encontramos é Rute. Sempre que penso na história desta mulher, me
vem a ideia de um lindo cenário romântico. Não sei quanto a você, mas a maioria
das pregações e estudos que ouvi, sempre falavam da fidelidade dela para com
Noemi, ou ainda do resgatador, Boaz – filho da última mulher que estudamos. Me lembro que este de romantismo começa bem turbulento.
Perfeito para as histórias de Jane Austen¹, mas graças a Deus que esta história
foi escrita por Aquele que tem planos muito além dos quais possamos imaginar
(Jr29:11).
A história de Rute passa-se no contexto do livro de
Juízes, em tempos de apostasia, caos moral e social em Israel, Elimeleque
decide mudar-se com a sua família para Moabe, pois em Judá havia fome. É em
Moabe que acontece o primeiro casamento de Rute, com Malom. E um tempo depois
Rute fica viúva. Após a trágica morte de todos os homens da família sua sogra
decide retornar a Judá, Rute e Orfa não são enganadas quanto ao quadro sombrio
que era viver sob a Ira de Deus, pois Judá estava sendo julgado pelo seu
pecado, havia fome naquela terra. Orfa por isto, foi dissuadida, já Rute
fortalecida. Contudo, o que podemos aprender com a vida desta moabita que
entrou para genealogia de Cristo?
A maior lição que temos com a vida de Rute, é a sua
conversão de adoração aos deuses pagãos à adoração a Deus. Os moabitas eram
conhecidos por sua idolatria a Quemos (1Re11:7,33; Jr 48). Não é difícil de
percebermos que ela era uma idólatra. Quando a decisão de retornar a Judá é
tomada, Noemi em dado momento, declara: “Eis
que tua cunhada voltou ao seu povo e aos seus deuses; também tu, volta após a
tua cunhada” (1:15). Temos aqui a demonstração de que a idolatria esteve
presente, de alguma maneira, em suas vidas. Contudo, Rute tem uma atitude
inesperada, ela decide ficar com a sogra e demonstra a sua conversão em simples
palavras, “o teu Deus, será o meu Deus”
(1:16). É então que a sua vida começa a mudar. Ela que era uma mulher que havia
ficado desamparada pela viuvez, sem filhos, vê Deus transformar a sua vida em
um canal de bênçãos para toda uma nação, pela simples e mais importante decisão
de reconhecer quem é Deus.
Todas as bênçãos que vemos em sua vida, como a
provisão em meio a fome, o resgatador, o gerar Obede, vieram após esta simples declaração. Porque,
simplesmente, não podemos servir a dois senhores. Rute não poderia adorar a
Quemos e a Deus. Ela escolheu bem, escolheu adorar ao único que é digno de
receber honra, glória e louvor. Ela reconheceu que Deus era quem estaria com
ela (Sl 96:4; 66:4).
Na nossa vida, no momento em que decidimos aceitar a
Cristo como nosso Salvador, igualmente temos que decidir abandonar a nossa
confiança em falsos deuses. Tenhamos claro, que podemos estar criando deuses em
nossos corações, não necessariamente a nossa idolatria tem sido voltada para
imagens de escultura, mas sim aos desejos e prazeres que temos. Nós fomos
criadas para adorar, adorar a Deus, mas devido a natureza caída, adoramos com
facilidade coisas vãs (Dt30:17, Jz2:17). Podemos ver isto, mesmo num local não
alcançado, onde nunca se pregou o evangelho, quando você chegar lá vai ver que algo ou alguém naturalmente é adorado. Pois naturalmente adoramos.
Por sermos “adoradoras de nascença”, caímos em
idolatria, mesmo reconhecendo que é pecado, temos que ter a atenção, pois
tendemos transformar coisas boas em ídolos. O ministério pode tornar-se um
ídolo, um casamento, um filho. E a idolatria sempre será pecado e por ser
pecado sempre será tratado com disciplina pelo Senhor (Cl 3:5-6), Rute
converteu seu coração ao Senhor, ela temeu a Deus, e o “temor ao Senhor conduz
a vida; aquele que tem ficará satisfeito, e nenhum mal o visitará” – Pv 19:23
Você tem adorado somente a Deus, ou tem permitido que a
idolatria sutilmente faça parte da tua vida? Rute largou o seu passado idólatra
por um presente de verdadeira adoração.
Com Tamar aprendemos que somos totalmente perdoadas
das nossas iniquidades, com Raabe que por vezes será preciso esperar, mas
podemos confiar que Deus é fiel para cumprir aquilo que prometeu e com Rute
aprendemos que Deus é zeloso, e quer a nossa sincera e total adoração, Ele não
está disposto a dividir a adoração que lhe é devida com coisas vãs, pois nada
poderá ser como Ele é.
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1 Jane Austen (1775-1817), escritora inglesa
romancista, suas obras mais conhecidas são: Orgulho
e Preconceito, Razão e Sensibilidade, Emma.
por Gabi Rocha


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