“Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não
habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo.
Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço.
Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem o faz, e sim o pecado que
habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside
em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas
vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da minha mente,
me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros.”
Romanos 7.18-24
Este trecho da carta do apóstolo
Paulo aos Romanos tem intrigado os estudiosos bíblicos, quanto ao entendimento
de quem Paulo se referia. Estaria Paulo pensando nele mesmo, expressando alguma
luta interior entre a sua vontade e uma tentação pecaminosa? Seria uma menção
ao judeu que se apoiava na Lei do antigo Testamento, a qual não podia
outorgar-lhe santidade interior completa? Poderia se tratar de uma alusão ao
cristão antes da sua transformação e novo nascimento no Espírito? Ou, quem
sabe, estaria Paulo pensando no cristão genuíno, nascido no Espírito, salvo
eternamente, porém que ainda podia e pode se ferir em sua presente luta contra
o pecado? Uma argumentação para a solução desses problemas exigiria muito mais
espaço aqui, porém, podemos inicialmente refletir em duas verdades bíblicas
inegáveis sobre o cristão e o pecado:
1. Definitivamente,
o cristão não é um escravo do pecado
Com a conversão de vida, nosso
“velho homem” foi crucificado em Cristo para não servirmos mais ao pecado
(Romanos 6.6), pois, este mal não pode mais se a senhora de nós (Romanos 6.14),
uma vez que o rejeitamos, abrindo mão da antiga maneira de viver sem Deus
(Colossenses 3.9), quando fomos tornados novas criaturas (2 Corintios 5.17)
para praticar a justiça de Deus (1 João 2.9) no lugar da busca pela satisfação
das vontades pecaminosas (Efésios 2.1-5).
2. Temporariamente,
o cristão luta e sofre com o pecado
O genuíno cristão que conheceu e
conhece a Deus não vive na prática contínua, viciosa e escravizadora do pecado
(1 João 3.9), mas ainda erra por palavra, ação ou intenção porque, apesar de já
andar no caminho da perfeição, AINDA não é perfeito (1 João 1.8-10) e precisa
da intervenção do Justo Advogado junto ao Santo Juiz (1 João 2.1), uma vez que
em Cristo experimenta uma realidade interior que não conhecia antes de nascer
de novo: a luta entre o Espírito e a carne dentro de si (Gálatas 5.16-25). Eis
a razão dos tantos imperativos no Novo Testamento que apontam a direção certa e
nos corrigem daqueles caminhos inapropriados que tomamos em algum momento da
vida cristã, por conta do descuido ou do orgulho para lidar com a tentação ou
pressão.
Gosto de pensar nestas duas
verdades para compreender o que Paulo disse sobre o “não fazer o bem que
prefere e fazer o mal que não deseja”, à luz de três experiências temporais
do poder libertador de Cristo sobre o pecado:
ü PASSADO:
Cristo nos libertou da penalidade do pecado (a
justificação)
ü PRESENTE:
Cristo no liberta do poder do pecado (a santificação)
ü FUTURO:
Cristo nos libertará da presença do pecado (a
glorificação)
Temporariamente estamos sujeitos
à presença do pecado na vida, como aquela pedrinha no sapato que um dia será
retirada! Este mal já é uma espécie em extinção, cujo cadáver, à medida que vai
apodrecendo, exala seu cheiro da morte entre o perfume da nova vida em Cristo.
Sigamos em frente, agradando a Deus e contando com a força, perdão, graça e
aperfeiçoamento que vêm dEle! Enquanto isso, aguardamos aquele “novo dia”, no
qual não mais existirá a batalha interior entre a convicção de aceitar a
frustração de errar. Uma antiga música ilustra isso:
Novo Dia (GRUPO LOGOS)
Quando os momentos da vida
me fazem ver
O que aqui dentro existe vou
lhe dizer
Luto pra conseguir força pra
fugir, faço o que posso
Mas já não sou vencedor,
outra vez errei
O que faço é o que não
quero, o que quero é o que não faço
Vivo nessa luta, mas eu sei:
há um novo dia!
Há um novo dia! Há um novo
dia! Há um novo dia!
E quando isso acontece
consigo só sentir
Que minha fé desvanece
parece vai sumir
Mas compreendo então sinto
que apesar de errar
Ainda sim consigo ter, ter
de Deus o amor que me dá perdão
Só assim consigo ir e me
animo a prosseguir
Crendo que a vitória
certamente ainda virá pois, há um novo dia!
Há um novo dia! Há um novo
dia! Há um novo dia!
Emerson
S. Pereira


0 comentários